
DJI processa Insta360 por 6 patentes antes do Avata 360
A DJI protocolou uma ação judicial contra a Arashi Vision — controladora da Insta360 — no Tribunal Intermediário de Shenzhen em 23 de março de 2026, alegando que seis patentes registradas pela rival pertencem legalmente à empresa. O processo foi aberto três dias antes do lançamento do Avata 360, o primeiro drone FPV com câmera nativa 360° da DJI, tornando pública uma disputa que envolve tecnologias centrais do setor: controle de voo, design estrutural e processamento de imagem.
As ações da Arashi Vision na Bolsa de Xangai fecharam em queda de 6,9% no dia do anúncio, a CNY 181,15 (cerca de R$ 171). Apesar da ação judicial, a DJI não sinalizou alteração na data de lançamento do Avata 360: 26 de março de 2026.
Contexto: a rivalidade entre DJI e Insta360
A Insta360 foi fundada em 2015 como fabricante de câmeras de ação esféricas e consolidou-se como líder no segmento de câmeras 360°, competindo diretamente com marcas como GoPro. Nos últimos dois anos, a empresa expandiu para o mercado de drones: em 2025, lançou o Antigravity A1, seu primeiro drone, com câmera 360° integrada e foco no segmento de vídeo imersivo — território que até então a DJI havia evitado.
A DJI respondeu com o Avata 360: 8K de resolução, capacidade FPV (First-Person View, ou pilotagem em primeira pessoa) e câmera 360° nativa. O drone foi anunciado oficialmente em março de 2026, com lançamento marcado para o dia 26. O Antigravity A1 e o Avata 360 disputarão diretamente o mesmo público: pilotos e criadores de conteúdo que querem imagens esféricas em alta velocidade.
O processo judicial, conforme apurado pelo DroneDJ, é o primeiro caso em que a DJI inicia uma ação de reivindicação de propriedade de patentes na China — um movimento incomum para uma empresa que historicamente se colocou na posição de réu, não de autora.
As seis patentes disputadas
O argumento jurídico central da DJI se apoia em uma cláusula do direito de propriedade intelectual chinês conhecida como invenção de serviço (service invention): quando um funcionário desenvolve uma tecnologia dentro de 12 meses após deixar uma empresa, e essa tecnologia está diretamente relacionada ao trabalho que ele realizava ali, os direitos sobre a patente pertencem ao empregador anterior — não ao novo empregador, nem ao próprio inventor.
A DJI afirma que as seis patentes em litígio foram criadas por ex-funcionários da empresa que migraram para a Insta360 dentro desse prazo, e que as inovações derivam diretamente das funções que exerciam na DJI, segundo o TechNode. As tecnologias cobrem três áreas: controle de voo, design estrutural e processamento de imagem — componentes que estão no núcleo de qualquer drone moderno.
Os números individuais das patentes não foram tornados públicos. O fundador da Insta360, JK Liu (Liu Jingkang), mencionou em sua resposta uma patente específica: um recurso de "mergulho entre prédios com um clique" no estilo FPV, que afirma ter criado pessoalmente na Insta360 e que permanece inativo por restrições regulatórias de voo em vários países.
O tribunal de Shenzhen aceitou o caso. A DJI não divulgou o tipo de reparação que busca — indenização, retirada de produtos do mercado ou transferência de titularidade das patentes.
A resposta da Insta360
JK Liu respondeu no mesmo dia no Weibo, a principal rede social chinesa. Em uma publicação detalhada, rejeitou cada ponto da acusação: "Todas as ideias e inovações foram criadas de forma independente na Insta360." Liu argumentou que a maioria das patentes em litígio foi depositada há mais de quatro anos e que muitas delas não chegaram sequer a ser implementadas em produtos comerciais.
Em seguida, inverteu o argumento: segundo o fundador, a Insta360 identificou pelo menos 28 produtos DJI que potencialmente infringem patentes da própria empresa, mas optou deliberadamente por não processar. "Empresas consolidadas odeiam perder market share", escreveu Liu, segundo o PetaPixel. O porta-voz da Insta360 acrescentou que "tentativas de empresas estabelecidas de suprimir a concorrência por meios legais estão fadadas ao fracasso."
Liu também publicou uma imagem comparando componentes dos dois produtos para contestar visualmente a alegação de semelhança técnica.
A declaração da Insta360 foi imediata e coordenada, sugerindo que a empresa já antecipava a possibilidade de uma ação judicial. O tom combativo de ambos os lados aponta para um litígio prolongado — disputas de patente em tribunais chineses costumam durar entre 18 meses e três anos.
O que muda para o piloto brasileiro
No curto prazo, o impacto é limitado. O Avata 360 segue programado para 26 de março e a DJI não anunciou nenhuma alteração. Disputas de propriedade intelectual em tribunais chineses raramente bloqueiam lançamentos já programados — a menos que haja uma liminar, o que neste caso ainda não ocorreu.
Para quem está aguardando o Avata 360 no Brasil, o cronograma habitual da DJI coloca novos produtos nas prateleiras de revendedores autorizados entre dois e quatro meses após o lançamento global. Quem importa via DJI Store ou plataformas como AliExpress pode ter acesso antes, mas sem garantia local e com possível incidência de impostos de importação. O guia completo de drones DJI no Brasil explica como funciona a compra com garantia e o que avaliar antes de importar.
O cenário a acompanhar é de médio prazo: se a DJI obtiver uma liminar suspendendo a comercialização de produtos Insta360 na China, isso pode reduzir a pressão competitiva sobre o Avata 360 no mercado asiático — e eventualmente influenciar preços globalmente. Por ora, o DJI Avata 2 permanece como a principal alternativa FPV com disponibilidade confirmada no Brasil.
A Insta360, vale registrar, não possui distribuição oficial no Brasil. Seus produtos chegam ao país por importação direta ou lojas paralelas, sem assistência técnica local.
Fontes: DroneXL | DroneDJ | PetaPixel | TechNode | South China Morning Post
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