Drone Apreendido no Rock in Rio 2026 sem Autorização

Um drone não autorizado foi identificado e apreendido pela Polícia Militar durante o Rock in Rio 2026 na noite de sábado, 5 de setembro, depois de sobrevoar a área restrita da Cidade do Rock. O piloto confirmou à polícia que não tinha autorização de voo pelo SARPAS, o sistema do DECEA que libera o acesso ao espaço aéreo, e o caso foi registrado na delegacia montada dentro do festival.
Como o drone foi detectado e apreendido
A equipe de monitoramento aéreo do festival identificou o equipamento sobrevoando a área restrita do evento e repassou a informação ao Centro Integrado de Comando e Controle Móvel (CICC-Móvel), instalado nas proximidades do BRT Olímpico, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Policiais militares localizaram o piloto ainda operando o controle remoto e o levaram, junto com o proprietário do drone, à delegacia montada dentro do evento.
Além do drone, foram apreendidos o rádio-controle, o cartão de memória e a maleta de transporte do equipamento. Ao ser questionado, o piloto declarou não possuir a autorização de voo emitida pelo Sistema de Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas ao Espaço Aéreo Brasileiro (SARPAS), da Força Aérea Brasileira, nem a documentação exigida para a operação.
O episódio ocorreu no segundo dia de shows do festival, que reúne mais de 700 mil pessoas na Cidade do Rock entre 4 e 13 de setembro. Não foi divulgado se o drone chegou a sobrevoar diretamente o público ou os palcos.
Por que a autorização do SARPAS era obrigatória
O SARPAS é o sistema on-line do DECEA que autoriza a operação de qualquer aeronave não tripulada — inclusive drones com menos de 250 g — em áreas de espaço aéreo controlado ou condicionado, como é o caso de grandes eventos com restrição temporária de tráfego aéreo. A solicitação é gratuita e, na maioria dos casos, respondida em até 24 horas, mas precisa ser feita antes do voo.
Desde 1º de julho de 2026, com a entrada em vigor da ICA 100-40, a exigência de solicitar acesso ao espaço aéreo pelo SARPAS passou a valer para toda operação de drone, independentemente do peso do equipamento. Voar sem essa autorização em área restrita é infração sujeita ao regime sancionador da ANAC: pela Resolução nº 762/2024, as multas partem de R$ 750 (nível 1) e podem passar de R$ 20 mil dependendo da gravidade, do risco gerado e de agravantes como sobrevoar aglomeração de pessoas. Além da multa, o equipamento pode ser apreendido no local, como ocorreu no Rock in Rio.
Para eventos como o Rock in Rio, a organização normalmente solicita uma área de exclusão aérea (AVE) temporária junto ao DECEA durante todo o período do festival, o que torna qualquer voo não autorizado de terceiros automaticamente irregular, mesmo para drones pequenos e recreativos.
O esquema de segurança do Rock in Rio 2026
A apreensão confirma na prática o esquema anunciado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro antes do início do festival: pela primeira vez, o Rock in Rio usa drones de vigilância e câmeras com reconhecimento facial como parte da segurança do evento, além de manter uma equipe dedicada a identificar drones não autorizados no espaço aéreo da Cidade do Rock. O esquema de segurança soma cerca de 7,6 mil agentes ao longo dos dez dias de festival.
A vigilância aérea funciona nos dois sentidos: enquanto o DECEA e a organização controlam quem pode voar sobre a área do evento, o mesmo sistema de monitoramento é usado para detectar e localizar drones não autorizados em tempo real, como o apreendido no dia 5 de setembro. O show de encerramento do festival, por sua vez, deve reunir 1.500 drones autorizados e coordenados pela produção — uma operação completamente diferente, sob autorização prévia do SARPAS.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem pilota drone no Brasil, o caso do Rock in Rio reforça uma regra que muitos hobbistas ainda ignoram: perto de grandes eventos, a autorização do SARPAS deixou de ser uma formalidade opcional e passou a ser condição para não ter o equipamento apreendido na hora. Isso vale mesmo para modelos leves, usados apenas para gravar vídeos pessoais, sem qualquer intenção de perturbar o evento.
Antes de levar o drone a qualquer show, festival ou evento de grande público, o piloto deve consultar o SARPAS e a AISWEB para verificar zonas proibidas e se há uma área de exclusão aérea temporária ativa para o local e o período — normalmente esses avisos são publicados com antecedência pelo DECEA. Voar sem checar essa informação expõe o piloto não só à multa, mas ao risco real de perder o equipamento, como aconteceu neste caso.
FAQ
Fontes: O São Gonçalo | Brasil em Folhas
Mais como este
Artigos Relacionados

15 drones reforçam segurança do Círio em Belém
A Segup do Pará usou 15 drones novos numa megaoperação em Belém e confirma o uso deles nas eleições de outubro e no Círio de Nazar…

FCC veta peças DJI e Autel em drones dos EUA em 13/10
A partir de 13 de outubro, a FCC dos EUA rejeita qualquer drone com placas da DJI ou Autel, mesmo montado nos EUA. Veja o que muda…

Drone em Mineração Exige Autorização do Dono, Diz TJGO
TJGO decidiu que drone para pesquisa mineral exige autorização do dono da terra, além da liberação aeronáutica; veja o caso e o ri…