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Drone DJI Air 3S é apreendido rumo a presídio em MS

4 min de leituraLucas Buzzo
Drone DJI Air 3S é apreendido rumo a presídio em MS

A Polícia Civil prendeu um foragido do sistema penitenciário na quinta-feira (24 de setembro de 2026) em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, com um drone DJI Air 3S, três baterias e 570 g de maconha divididos em dois tabletes. Segundo os investigadores, o homem havia saído de Campo Grande com o equipamento para lançar a droga dentro de unidades prisionais do município.


Como foi a prisão em Três Lagoas

A 3ª Delegacia de Polícia de Três Lagoas recebeu informações sobre o paradeiro do foragido e montou a abordagem que resultou na apreensão. Além do drone e da droga, os policiais encontraram uma balança de precisão, fios de nylon, fita adesiva e papel-filme — materiais tipicamente usados para embalar e acoplar cargas à aeronave antes do lançamento sobre o pátio de um presídio.

Para a Polícia Civil, o conjunto de itens apreendidos deixa pouca dúvida sobre a finalidade do equipamento: o DJI Air 3S, modelo de médio porte vendido oficialmente no Brasil por cerca de R$ 8 mil, tem autonomia e estabilidade suficientes para carregar pequenas cargas com precisão até o pátio de uma unidade prisional, mesmo à noite. Nenhuma prisão adicional relacionada ao destinatário da carga dentro do presídio foi divulgada até a publicação desta matéria.


Três Lagoas entra na lista de cidades afetadas em MS

Até agora, os flagrantes de drones usados para abastecer presídios em Mato Grosso do Sul se concentravam em Campo Grande e Dourados. Em julho, um drone caiu a vassouradas no pátio da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande carregando cocaína e um celular — episódio que já era, à época, o terceiro flagrante do tipo no estado em duas semanas, dois deles registrados na Penitenciária Estadual de Dourados. Em agosto, a escalada ficou ainda mais clara: a Polícia Penal e a Força Nacional Penal interceptaram nove drones em apenas três dias, mirando as mesmas duas cidades.

O caso de Três Lagoas é o primeiro da série a envolver uma terceira cidade sul-mato-grossense, o que sugere que o método não está restrito às duas maiores unidades prisionais do estado — pode se espalhar para qualquer presídio próximo a áreas urbanas de fácil acesso. A rota aérea permanece atrativa para o crime organizado justamente por reduzir o contato direto entre fornecedores e o entorno da unidade, dificultando revistas tradicionais em visitantes e funcionários.


O que muda para o piloto brasileiro

Casos como o de Três Lagoas não alteram as regras para quem voa drone dentro da lei, mas reforçam a fiscalização sobre equipamentos de boa autonomia e carga — justamente os mais visados tanto por operadores comerciais quanto por criminosos. Desde 1º de julho de 2026, a ICA 100-40 exige autorização no SARPAS para qualquer voo, inclusive de drones sub-250 g, o que elimina a antiga zona cinzenta em que operadores recreativos alegavam dispensa de registro perto de áreas sensíveis como presídios.

Para o piloto comercial que presta serviço de inspeção, mapeamento ou cobertura jornalística perto de complexos penitenciários, o recado prático é redobrar o cuidado com rotas e horários de voo: sobrevoos não identificados nesse tipo de região tendem a atrair resposta policial imediata, mesmo quando a intenção é legítima e o cadastro no SISANT está em dia. A tramitação do PL 5.646/2025, que autoriza forças de segurança a interceptar e neutralizar drones-ameaça, ganha mais um argumento prático a cada novo flagrante desse tipo.



Fontes: Campo Grande News | A Onça