15 drones reforçam segurança do Círio em Belém

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) usou 15 drones simultaneamente numa megaoperação em Belém no sábado (26 de setembro de 2026), mobilizando mais de 200 agentes nos distritos de Icoaraci e Outeiro. Os mesmos equipamentos já estão escalados para monitorar as eleições de outubro e as procissões do Círio de Nazaré, segundo a Segup.
A chamada Operação Impulsus reforça uma tendência que já aparece em outros estados: governos estaduais formando esquadrões próprios de drones para policiamento ostensivo, em paralelo ao debate no Senado sobre uma lei federal específica para o uso da tecnologia por forças de segurança.
O avanço dos drones na segurança pública brasileira
O caso do Pará não é isolado. Nos últimos meses, corporações de diferentes estados ampliaram o uso de aeronaves remotamente pilotadas em patrulhamento, do Espírito Santo — que recebeu drones e kits de rastreamento para reforçar a segurança em unidades prisionais — a São Paulo, onde a Polícia Militar já integra drones a operações de choque contra o crime organizado na capital.
Essa expansão acontece sem uma lei federal específica que regule o tema. Atualmente, cada corporação segue as regras gerais de aviação não tripulada da ANAC e do DECEA, enquanto tramita no Senado o PL 3611/2021, que trata do uso de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) por órgãos de segurança pública. A Comissão de Segurança Pública do Senado sinalizou, em agosto, que deve votar o projeto ainda em 2026 — e uma emenda do relator retira do texto original as proibições ao armamento e à pilotagem autônoma por inteligência artificial dos drones policiais.
Como funciona a Operação Impulsus
Na ação de 26 de setembro, os 15 drones da Segup sobrevoaram simultaneamente 12 pontos dos distritos de Icoaraci e Outeiro e dos bairros da Pratinha e do Tenoné, na região metropolitana de Belém. O efetivo em solo somou mais de 200 policiais e agentes, apoiados por 36 viaturas, 12 motocicletas e uma lancha para ações fluviais, com participação da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e do Departamento de Trânsito do estado.
Segundo o secretário de Segurança Pública do Pará, coronel Ed-Lin Anselmo, os equipamentos usados na operação têm três câmeras, recursos de zoom, imagem em alta resolução, sensor de detecção de obstáculos e cerca de 50 minutos de autonomia de voo — parte deles também com câmera térmica para operações noturnas. Os drones apoiaram o monitoramento aéreo da região, a fiscalização do trânsito e vistorias em casas de shows, bares e restaurantes, além de ações de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes.
O comando da operação classifica os 15 aparelhos como recém-incorporados à frota da Secretaria, que já opera dezenas de outros drones através do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) — unidade que reúne os pilotos e equipamentos aéreos usados pelas forças de segurança do estado.
Círio de Nazaré e eleições: o que vem a seguir
A Segup já confirmou um calendário de uso para os novos drones nas próximas semanas. Eles vão operar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, e — caso haja segundo turno — também em 25 de outubro. Entre esses dois compromissos, os equipamentos vão monitorar as duas maiores romarias da quadra nazarena: a Trasladação, em 10 de outubro, e o próprio Círio de Nazaré, em 11 de outubro — evento que reúne anualmente mais de 1 milhão de pessoas nas ruas de Belém.
Para operações desse porte, o monitoramento aéreo é usado principalmente para identificar aglomerações de risco, apoiar buscas por pessoas desaparecidas na multidão e orientar o deslocamento de equipes em tempo real — um uso semelhante ao de outros grandes eventos religiosos e esportivos que já contaram com apoio de drones policiais no Brasil.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem pilota drone por hobby ou trabalho, a operação em Belém tem um efeito prático imediato: datas como o Círio de Nazaré e o pleito eleitoral costumam vir acompanhadas de restrições temporárias de espaço aéreo decretadas pelo DECEA ao redor dos locais de maior concentração de pessoas. Antes de voar na Grande Belém nesse período, vale conferir eventuais áreas restritas nas zonas proibidas para voo de drone e confirmar a autorização de voo pelo SARPAS, mesmo para equipamentos leves.
O episódio também reforça, para o piloto civil, a distinção entre o regime aplicado às aeronaves de uso estatal — que operam sob prerrogativas próprias de segurança pública e defesa — e o regime comum, sujeito a cadastro no SISANT, respeito a zonas de exclusão aérea e, dependendo da operação, autorização prévia do DECEA. Enquanto o Congresso não conclui a votação do PL 3611/2021, é essa moldura geral que segue valendo tanto para o hobbysta quanto para as corporações estaduais que, como o Pará, vêm ampliando suas próprias frotas de drones.
FAQ
Fontes: Diário do Pará | Folha do Progresso
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