
OSIRIS UEB-1: drone interceptador ucraniano a 315 km/h
A startup ucraniana OSIRIS AI apresentou o UEB-1, um drone interceptador capaz de atingir 315 km/h e projetado para derrubar outros VANTs em pleno voo usando inteligência artificial. O lançamento aconteceu na feira Xponential Europe 2026, realizada entre 24 e 26 de março em Dusseldorf, na Alemanha.
Com 3,1 kg de peso total e uma ogiva de 0,5 kg, o UEB-1 é significativamente menor e mais barato que os sistemas de defesa antiaérea convencionais. A proposta é oferecer uma resposta tática rápida contra drones hostis, um problema crescente em conflitos modernos e também em cenários de segurança civil.
Como funciona o drone interceptador UEB-1
O OSIRIS UEB-1 não é um drone FPV convencional adaptado para combate. Segundo a OSIRIS AI, trata-se de uma plataforma projetada desde o início para interceptação aérea, com aceleração rápida e controle estável sob cargas de alta propulsão.
O diferencial está na inteligência artificial embarcada: o software de bordo calcula a trajetória projetada do alvo e ajusta autonomamente o curso do interceptador para viabilizar o impacto direto. Isso reduz drasticamente a dependência do operador, que precisa apenas designar o alvo. O processamento de dados acontece inteiramente a bordo, sem depender de conexão externa.
A câmera transmite vídeo em tempo real via sinal analógico na frequência de 5,8 GHz, com opção de câmera para baixa luminosidade. O campo de visão diurno é o padrão, mas a versão noturna amplia a janela operacional.
Especificações técnicas
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Velocidade máxima | 315 km/h |
| Autonomia de voo | +10 minutos |
| Alcance operacional | até 18 km (linha de visada) |
| Peso total | 3,1 kg |
| Ogiva | 0,5 kg |
| Dimensões | 370 x 370 x 550 mm |
| Material | Fibra de carbono |
| Vídeo | Analógico 5,8 GHz, tempo real |
| Câmera | Diurna (opção low-light) |
Quem é a OSIRIS AI
A OSIRIS AI é uma startup ucraniana de tecnologia de defesa com centro de P&D em Cracóvia, na Polônia, e instalações de produção divididas entre Ucrânia e Polônia. O CEO é Roman Onishchenko.
Antes do UEB-1, a empresa desenvolveu o OSIRIS DroneOS, um sistema operacional modular para drones que permite operação autônoma com processamento de dados em tempo real. A plataforma funciona como uma base de software que conecta diferentes hardwares, módulos de IA e serviços em nuvem.
Em novembro de 2025, a OSIRIS AI recebeu investimento de um fundo norte-americano para acelerar o desenvolvimento do DroneOS. O UEB-1 é o primeiro produto de hardware da empresa, segundo informações do Militarnyi.
Drones caçadores de drones: uma tendência global
O UEB-1 não está sozinho nessa categoria. A guerra na Ucrânia acelerou o desenvolvimento de drones interceptadores como resposta tática aos VANTs de ataque, especialmente os drones Shahed iranianos usados pela Rússia.
Outros projetos ucranianos incluem o STRILA (apoiado pela Quantum Systems) e o simulador Obriy Antishahid da Twist Robotics. Nos Estados Unidos, o programa Drone Dominance encomendou 30.000 drones-kamikaze para responder à mesma ameaça.
A lógica é econômica: usar um míssil de centenas de milhares de dólares para derrubar um drone de US$ 20.000 não é sustentável. Um interceptador como o UEB-1, leve e autônomo, oferece uma alternativa assimétrica com custo operacional drasticamente menor.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem pilota drones no Brasil, o UEB-1 não é um produto acessível nem voltado ao mercado civil. Mas ele sinaliza três tendências que já afetam o cenário brasileiro:
Defesa antiaérea com drones. O Exército Brasileiro solicitou R$ 456 bilhões para defesa antiaérea, incluindo sistemas contra VANTs. A Copa do Mundo 2026 terá sistemas anti-drone nos estádios. Interceptadores como o UEB-1 podem integrar essas soluções no futuro.
IA embarcada em drones. O processamento autônomo de alvos a bordo, sem depender de link de dados externo, é uma evolução que eventualmente chega aos drones civis. Desvio de obstáculos mais inteligente, rastreamento de objetos e operações BVLOS são aplicações diretas dessa tecnologia.
Regulamentação mais rígida. À medida que drones se tornam armas mais sofisticadas, a pressão por regulamentação e identificação remota aumenta. No Brasil, o cadastro no SISANT já é obrigatório, e a tendência é que rastreamento em tempo real se torne padrão.
Fontes: United24 Media | Militarnyi | dev.ua
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