Drone reduz agrotóxico em até 40% no combate a pragas

Drones de pulverização de precisão estão ajudando produtores brasileiros a reduzir em até 40% o uso de agrotóxico no combate a pragas como a cigarrinha-do-milho, que já causou R$ 134 bilhões em perdas ao país entre 2020 e 2024. A tecnologia mira defensivos apenas onde há infestação, cortando desperdício, tempo de aplicação e custo por hectare — segundo levantamento publicado pelo jornal O Tempo em 12 de agosto de 2026.
O tamanho do problema: quanto as pragas custam ao agro brasileiro
Pragas, fungos e insetos causam perdas de até R$ 55 bilhões por ano à produção agrícola brasileira, segundo dados citados no levantamento. A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é hoje a principal ameaça: o inseto transmite bactérias causadoras do enfezamento do milho, doença que reduz a formação de grãos e pode levar à perda total da lavoura.
De acordo com estudo da Embrapa em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Epagri, a cigarrinha-do-milho gerou US$ 25,8 bilhões (cerca de R$ 134 bilhões) em prejuízo acumulado entre 2020 e 2024 — uma perda média anual de 22,7% na produção, equivalente a 31,8 milhões de toneladas de milho por ano.
Mais de 80% dos municípios brasileiros aplicam agrotóxico acima do necessário, segundo o mesmo levantamento, o que eleva custo, risco ambiental e exposição de trabalhadores rurais.
Como o drone corta o uso de agrotóxico
A resposta que ganha tração no campo é a pulverização de precisão por drone. Diferente do pulverizador terrestre ou da aeronave tripulada, o drone agrícola mapeia a lavoura, identifica os focos de infestação e aplica o defensivo apenas onde é necessário — em vez de cobrir o talhão inteiro.
O caso da Green Growth, startup mineira fundada em 2024, ilustra o ganho: segundo Matheus Nogueira, CTO da empresa, o uso de drones já ajudou lavouras a reduzir o consumo de defensivos agrícolas em até 40%. Uma produtora de café em Viçosa (MG), Maria Emília Souzalima Campos, relatou à reportagem que o tempo de pulverização de sua propriedade caiu de 5 dias para 1 hora, com custo reduzido de cerca de R$ 1.000 para R$ 200 por hectare.
O programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) da Faemg Senar, aplicado a produtores de café, registrou ganho de 26% na produção e corte de 40% nos custos com o uso combinado de drones e monitoramento técnico, segundo o analista técnico Altino Júnior.
Quem quer estimar o próprio custo de operação pode consultar o cálculo de custo de pulverização por drone por hectare já publicado no PickDrones.
O que diz a Embrapa
Rafael Soares, pesquisador da Embrapa, aponta que o drone é uma ferramenta versátil: reduz o consumo de combustível fóssil, o uso de água e a compactação do solo em relação a máquinas terrestres, além de permitir aplicações noturnas localizadas de defensivos. Segundo Soares, o equipamento mapeia e pulveriza, mas a decisão de qual defensivo aplicar e quando continua sendo do agrônomo ou técnico de campo — o drone entra como ferramenta de execução, não substitui a recomendação técnica.
Essa combinação entre tecnologia de aplicação e diagnóstico técnico é o que vem permitindo cortar tanto o volume de agrotóxico quanto o tempo de resposta a uma infestação, especialmente relevante para uma praga como a cigarrinha-do-milho, que se espalha rápido entre safras.
O que muda para o piloto brasileiro
Para o piloto e operador de drone agrícola no Brasil, o caso reforça uma tendência já mapeada no guia de drone agrícola do PickDrones: a demanda por pulverização de precisão cresce mais rápido que a de mapeamento simples, puxada por produtores que buscam reduzir custo com insumo, não só mão de obra.
Operar drone pulverizador agrícola no Brasil segue as mesmas regras gerais de acesso ao espaço aéreo — cadastro no SISANT da ANAC e autorização de voo via SARPAS do DECEA — além de exigências específicas de aplicação de defensivos, que variam conforme o produto e o órgão estadual de vigilância agropecuária. Operadores que atendem produtores de café, milho e outras culturas sujeitas a pragas de alto impacto têm hoje um argumento comercial concreto: redução de custo mensurável, não apenas eficiência operacional.
FAQ
Fontes: O Tempo | CNA Brasil
Mais como este
Artigos Relacionados

FCC dos EUA: prazo p/ banir drones DJI vence em 2/9
A DJI pede a pilotos dos EUA que comentem até 2/9 contra o banimento retroativo de drones já aprovados, como o Matrice 400 e os Ag…

Cuiabá lança drones com câmera térmica contra queimadas
Cuiabá começou a usar drones com câmera térmica para fiscalizar terrenos baldios e prevenir queimadas urbanas na nova Operação Esc…

Drones agrícolas movem R$ 2 bi no Brasil em 2026
O mercado brasileiro de drones pulverizadores deve superar R$ 2 bilhões em 2026, alta anual de 30%, com 11 mil novas unidades ativ…